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Governança da Arrecadação e o Comitê Gestor do IBS: transparência e partilha entre entes federativos

Um novo modelo de governança tributária no Brasil

 

No centro da Reforma Tributária está o Comitê Gestor do IBS ( Imposto sobre Bens), órgão responsável por administrar, arrecadar, distribuir e fiscalizar o IBS - tributo que substituirá o ICMS e o ISS a partir da transição de 2026 - e essa reforma não apenas simplifica tributos: ela redefine a governança da arrecadação no Brasil.


o Comitê será responsável por administrar, arrecadar e distribuir automaticamente o IBS, respeitando o princípio do destino

Esse novo modelo de gestão compartilhada entre estados e municípios representa uma mudança histórica: o fim da guerra fiscal e o início de uma era de cooperação federativa e transparência arrecadatória.


💡 Em resumo: o Comitê será responsável por administrar, arrecadar e distribuir automaticamente o IBS, respeitando o princípio do destino (local do consumo).

 

O que é o Comitê Gestor do IBS e como ele influencia na governança da arrecadação

 

O Comitê Gestor do IBS (CGIBS) é um órgão autônomo, de natureza técnica e deliberativa, composto por representantes dos estados, Distrito Federal e municípios.


Sua missão é garantir que a arrecadação e a partilha do IBS sigam princípios de equidade, simplicidade e neutralidade.


O CGIBS será o responsável por operacionalizar a arrecadação centralizada — um dos maiores avanços do novo sistema — e distribuir automaticamente os valores arrecadados entre os entes federativos com base no princípio do destino (onde ocorre o consumo).

 

Estrutura e funcionamento do CGIBS


As deliberações serão tomadas por maioria qualificada, respeitando os critérios de proporcionalidade de população e receita.


A sede do Comitê será em Brasília, e suas decisões terão efeito vinculante para todos os entes federativos.

 

⚙️ Estrutura:


  • Composição paritária: 27 representantes dos Estados e 27 dos Municípios;

  • Presidência rotativa, alternada entre representantes estaduais e municipais;

  • Decisões colegiadas, aprovadas por maioria qualificada;

  • Autonomia administrativa e orçamentária, sem subordinação à União.

 

Entre suas principais atribuições, destacam-se (art. 362 da LC nº 214/2025):


  1. Administrar o Sistema Unificado de Arrecadação (SUA);

  2. Coordenar a repartição automática do IBS entre Estados e Municípios;

  3. Editar resoluções técnicas e normas complementares;

  4. Homologar o layout único de documentos fiscais;

  5. Fiscalizar e auditar os repasses via plataforma digital.

 

📊 Na prática: o CGIBS será uma espécie de “Banco Central do IBS”, garantindo que cada centavo arrecadado chegue automaticamente ao ente de destino.

 

Transparência e partilha automática de receitas


Com o IBS, toda arrecadação será centralizada em uma conta única vinculada ao Tesouro Nacional, operada pelo CGIBS.


O sistema de apuração, baseado em documentos fiscais eletrônicos (DF-e RTC), permitirá identificar, em tempo real, a origem e o destino de cada operação.

Dessa forma, o IBS será repartido automaticamente entre o Estado e o Município onde o consumo ocorrer, sem necessidade de compensações manuais ou disputas judiciais.

 

💰 Fluxo operacional:


  1. O comprador paga o valor total da operação;

  2. O split payment separa o valor líquido (empresa) e o valor do IBS;

  3. O imposto é transferido automaticamente para o Comitê Gestor do IBS;

  4. O CGIBS processa a informação e redistribui a receita aos Estados e Municípios correspondentes;

  5. Os entes recebem os valores em tempo real, já conciliados e auditados.

 

💬 Efeito prático:


  • Fim da “guerra fiscal”;

  • Eliminação de guias manuais e arrecadações descentralizadas;

  • Transparência total na origem e destino dos tributos.

 

💡 Exemplo prático:

Uma empresa localizada em São Paulo vende para um cliente em Pernambuco.O IBS será recolhido no pagamento (via split payment) e creditado diretamente a Pernambuco, sem qualquer intervenção da empresa ou do fisco estadual de origem.


Essa partilha automática e transparente elimina a guerra fiscal e assegura previsibilidade de receitas públicas, especialmente para municípios menores.

 

Governança digital e auditoria em tempo real


O Comitê Gestor foi desenhado com base em princípios de governança pública e compliance digital.


O CGIBS contará com uma infraestrutura tecnológica unificada, conectada ao SPED RTC (Reforma Tributária do Consumo) e aos sistemas de notas fiscais eletrônicas (NF-e, NFS-e e CT-e).

 

🧩 Pilares de funcionamento:


  • Transparência total: todas as arrecadações e partilhas serão públicas e auditáveis;

  • Automação: eliminação de erros humanos e fraudes no repasse;

  • Accountability: relatórios obrigatórios sobre desempenho e distribuição;

  • Equidade federativa: nenhum ente pode alterar alíquotas isoladamente.


Essas ferramentas permitirão:


  • Controle em tempo real da arrecadação e compensações;

  • Auditoria automatizada de créditos e débitos;

  • Monitoramento da partilha de receitas com base em dados de consumo;

  • Transparência pública via painel digital acessível à sociedade e órgãos de controle.


Essa governança digital torna o sistema mais previsível, auditável e confiável — tanto para empresas quanto para governos.

 

📊 O CGIBS deverá publicar relatórios trimestrais de arrecadação, demonstrando a participação percentual de cada estado e município (art. 385, LC nº 214/2025).

 

Impacto para empresas com operações interestaduais


Para as empresas, o Comitê Gestor e a arrecadação centralizada representam simplificação e segurança jurídica e embora seja um órgão público, as empresas serão diretamente afetadas pelo novo modelo de governança.


Com apenas um sistema nacional de apuração e pagamento do IBS, as obrigações acessórias serão reduzidas, eliminando divergências entre legislações estaduais e municipais.

 

Além disso:


  • A apuração será unificada por CNPJ raiz, conforme o art. 25 da LC nº 214/2025;

  • O crédito financeiro será reconhecido eletronicamente, sem depender de autorizações locais.

  • As notas fiscais passarão a conter informações de destino e recolhimento automáticos;

  • Os sistemas ERP deverão estar integrados ao SUA (Sistema Unificado de Arrecadação);

  • As operações interestaduais terão regras uniformes, eliminando divergências de CFOP e crédito de ICMS/ISS;

  • A fiscalização digital será integrada — uma única base de dados alimentará União, Estados e Municípios.


Empresas que atuam em vendas interestaduais terão, portanto, menos custo de compliance e maior previsibilidade no fluxo de caixa.


💬 Dica Simeona: empresas com operações em vários estados devem revisar seus cadastros fiscais e fluxos de faturamento até o fim de 2026, para adequação ao modelo unificado do IBS.

 

Conclusão: transparência e cooperação federativa


O Comitê Gestor do IBS é o coração operacional da Reforma Tributária. Mais do que um órgão técnico, o CGIBS é o símbolo da nova governança tributária brasileira.


Ao substituir o atual modelo de arrecadação descentralizada por um sistema nacional, o Brasil avança rumo a uma federação cooperativa, baseada em dados, transparência e previsibilidade. Este modelo é compatível com os IVAs internacionais, que simplifica o ambiente de negócios.


Com ele, o Brasil estabelece uma governança moderna e digital, garantindo que os recursos arrecadados sejam partilhados de forma automática, justa e transparente, eliminando décadas de disputas entre estados e municípios e trazendo previsibilidade tanto para o setor público quanto para as empresas.


Para empresas e governos, o desafio agora é adaptar sistemas, processos e cultura para essa nova era de arrecadação inteligente e gestão compartilhada.


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