Como a Reforma Tributária aproxima o Brasil dos padrões internacionais de IVA
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Como a Reforma Tributária aproxima o Brasil dos padrões internacionais de IVA

Brasil, finalmente no mapa do IVA moderno

 

O sistema tributário brasileiro sempre foi considerado um dos mais complexos do mundo, com múltiplos tributos sobre o consumo — ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI — e diferentes legislações entre os entes federativos.


Essa estrutura cria o chamado “IVA dual brasileiro” e coloca o Brasil em linha com os padrões internacionais de tributação sobre o consumo

 

Com a reforma tributária o Brasil dá um passo histórico: a criação de um sistema de tributação sobre o consumo baseado no IVA (Imposto sobre Valor Adicionado), modelo já consolidado em mais de 170 países.

 

A Reforma substitui o complexo conjunto de tributos atuais — PIS, COFINS, ICMS e ISS — por dois novos impostos integrados:

 

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal;

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal.

 

Essa estrutura cria o chamado “IVA dual brasileiro” e coloca o Brasil em linha com os padrões internacionais de tributação sobre o consumo, favorecendo neutralidade, simplicidade e transparência.

 

O que é o IVA e como ele funciona no mundo

 

O IVA (Imposto sobre Valor Adicionado) é um modelo de tributação adotado em economias desenvolvidas e emergentes, baseado em um princípio simples: tributar o consumo de forma não cumulativa, permitindo que cada empresa credite o imposto pago na etapa anterior.

 

Esse formato garante:

 

  • Neutralidade econômica, pois o imposto incide apenas sobre o valor agregado;

  • Transparência, com alíquota única e crédito automático;

  • Competitividade, reduzindo distorções e acumulados em cadeia.

 

Na União Europeia, por exemplo, o IVA é administrado nacionalmente, mas segue normas comuns que garantem harmonização e simplicidade. O modelo canadense, que inspirou o IBS brasileiro, adota um IVA dual, combinando tributos federais e provinciais de forma coordenada, com partilha automatizada da arrecadação.

 

O IVA no Brasil após a Reforma Tributária: modelo dual e digital

 

O Brasil optou por um modelo dual, em que o IBS e a CBS têm bases idênticas, mas gestões distintas e ambos incidem sobre bens materiais, serviços e direitos, e compartilham o mesmo conceito de crédito financeiro integral.

 

Esse arranjo mantém a autonomia de Estados e Municípios, respeitando o pacto federativo, mas garante uniformidade de regras e alíquotas transparentes.

 

Entre as principais características que alinham o modelo brasileiro ao padrão global de IVA estão:

 

Característica

Padrão internacional

Reforma brasileira

Base ampla

Bens e serviços

Bens, serviços e direitos

Não cumulatividade plena

Crédito financeiro total

Crédito financeiro

Tributação no

destino

Imposto recolhido onde ocorre o consumo

IBS e CBS no destino

Apuração

eletrônica

Automatizada

Apuração digital (SPED-RTC)

Arrecadação

centralizada

Via autoridade nacional

Comitê Gestor do IBS + Receita Federal

  

Comparativo internacional: Brasil x IVA global

 

País / Região

Tipo de IVA

Alíquota média

Particularidade

Brasil (a partir de 2033)

IVA dual

(CBS + IBS)

25% combinada (estimada)

Gestão compartilhada e crédito financeiro integral

União Europeia

IVA único nacional

21% média

Tributação no destino e harmonização interestadual

Canadá

IVA dual (federal + provincial)

13% a 15%

Harmonização via acordo federativo (HST)

Índia

IVA dual (GST central + estadual)

18% média

Comitê de coordenação entre estados

Chile / México

IVA nacional único

19% / 16%

Administração centralizada

África do Sul

IVA único

15%

Simplicidade e arrecadação direta

 

🔍 Conclusão comparativa:


O Brasil se alinha ao modelo indiano e canadense, em que há autonomia federativa com administração integrada. Além disso, o crédito financeiro adotado assegura a neutralidade plena, um dos princípios fundamentais dos IVAs internacionais.

 

Características que aproximam o Brasil do padrão global de IVA

 

A CBS e o IBS foram estruturados para atender aos mesmos princípios-base do IVA mundial:

 

🔹 1. Princípio da não cumulatividade plena

Cada etapa da cadeia tributa apenas o valor adicionado, com crédito integral sobre bens e serviços adquiridos (arts. 23 a 35 da LC nº 214/2025).

 

🔹 2. Princípio do destino

O imposto é devido no local do consumo final, eliminando a guerra fiscal entre estados — assim como ocorre na União Europeia e no Canadá (art. 11 da LC nº 214/2025).

 

🔹 3. Neutralidade e transparência

Com o split payment, o tributo é recolhido diretamente ao fisco, e os créditos são validados eletronicamente em tempo real, reduzindo fraudes e sonegação.

 

🔹 4. Simplificação das obrigações

O modelo substitui cinco tributos por apenas dois, com declaração única e sistema digital integrado, similar ao VAT Information Exchange System (VIES) europeu.

 

 

O diferencial brasileiro: IVA digital e integração em tempo real


A Reforma Tributária também coloca o Brasil na vanguarda da transformação digital tributária, com sistemas integrados que reduzem custos e aumentam a transparência:

O Brasil inova ao adotar um IVA 100% digital, sustentado por três pilares tecnológicos:

 

 

Ferramenta

Função

Base legal

SPED Unificado

Centraliza apuração e escrituração de CBS e IBS

Art. 98, LC nº 214/2025

Split Payment

Arrecadação automática no pagamento

Arts. 71 a 100, LC nº 214/2025

Sistema Unificado de Arrecadação (SUA)

Repartição automática da receita entre entes

Art. 369, LC nº 214/2025

 

💬 Resultado: o Brasil será o primeiro país do mundo com um IVA em tempo real, permitindo faturamento, pagamento e crédito sincronizados. Isso coloca o país na vanguarda tecnológica da gestão tributária global.

 

Impactos esperados: eficiência, competitividade e confiança

 

A aproximação do Brasil aos padrões internacionais trará benefícios estruturais para o ambiente de negócios:

 

  • Maior competitividade internacional — redução do custo tributário sobre exportações.

  • Previsibilidade e estabilidade — eliminação da guerra fiscal e da cumulatividade.

  • Maior transparência — o novo modelo permitirá identificar claramente o valor do imposto embutido em cada transação.

  • Redução do custo de conformidade — menos guias, declarações e contestações. o tempo médio gasto com obrigações fiscais deve cair mais de 50%.

  • Integração econômica global — alinhamento com os princípios da OCDE e da OMC.

 

📈 Segundo estimativas do Ministério da Fazenda (2025), a adoção do modelo IVA dual poderá aumentar o PIB potencial em até 12% em 15 anos, graças à simplificação e à segurança jurídica.


O Brasil, finalmente, adota uma estrutura tributária compatível com as melhores práticas internacionais, fortalecendo sua posição no comércio global.


Conclusão: o Brasil, finalmente, no mapa tributário global

 

A Reforma Tributária  no Brasil é mais do que uma mudança legal — é uma reconexão do país com o mundo econômico moderno que aproxima o país do padrão internacional de IVA ao simplificar, digitalizar e unificar a tributação sobre o consumo.

 

O novo IVA dual (CBS + IBS) combina a simplicidade dos sistemas internacionais com a realidade federativa brasileira, garantindo neutralidade, transparência e eficiência.

 

Com isso, o país se posiciona entre as economias com tributação de consumo mais equilibrada e digitalmente avançada do mundo, com uma eficiência arrecadatória e com uma base sólida para crescimento sustentável e integração econômica global.

 

Com a transição iniciando em 2026, empresas e governos têm um novo papel: adaptar-se a um sistema transparente, moderno e competitivo — em linha com o que já funciona em grande parte do mundo.


Descubra como o Brasil se alinha aos modelos de tributação mais eficientes do mundo e o que isso significa para os seus negócios:

 

 

 

 
 
 
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